Sabe uma conversa boa, em que um assunto vai chamando o outro, e que ninguém quer que acabe? Assim é o “Esquenta”, comandado por Regina Casé aos domingos na Globo. Anteontem, ela reuniu, entre outros, de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Lilia Cabral, Michel Teló, Mumuzinho, Preta Gil a Paula Lavigne. O elenco foi ainda da musa da Guarda do Embaú ao grupo Rancho Folclórico Arouca, de música tradicional portuguesa. O programa é assim: um microcosmos da centrífuga cultural brasileira. O freguês mais mal-humorado pode até dizer que esta mistura, idílica, não existe. Mas não é verdade: se ela se materializa no palco da apresentadora, isso significa, no mínimo, que não se trata de uma utopia.
Para ilustrar o que o programa promove, basta citar um trecho do que foi ao ar anteontem: primeiro, Lilia Cabral falou sobre Griselda, sua personagem em “Fina estampa”, que é natural de Portugal, mas não tem sotaque luso. Aí o grupo Arouca partiu para um fado. Em seguida, Zeca Pagodinho emplacou um “É uma casa portuguesa com certeza”, numa batida de samba. Nessa hora, as fadistas, animadas, se mostraram verdadeiras passistas.



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