A novela sobre o aluguel do estádio Frasqueirão por parte do América parece ter chegado a um fim. Ou melhor, a mais um deles, pelo menos até que o assunto seja reavivado. Ontem o presidente Rubens Guilherme bateu o martelo e disse ao Diário de Natal que não irá alugar o estádio ao rival, alegando que está atendendo a vontade do torcedor abecedista. Rubens disse ainda que o problema da falta de estádio por parte do time rubro não é problema do ABC e que recebeu por parte do presidente e do diretor de competições da CBF, respectivamente Ricardo Teixeira e Virgílio Elísio, a garantia de que a entidade máxima do futebol nacional não irá interferir nessa questão, como era da vontade do mandatário da Federação Norte-riograndense de Futebol (FNF), José Vanildo.
"A maior receita do ABC hoje é o torcedor e nós iremos atender a essa vontade da torcida, até pela questão do respeito ao nosso torcedor", disse Rubens Guilherme. O presidente alvinegro disse ainda que ninguém do América procurou o ABC de forma oficial para discutir o aluguel do estádio e que a posição do clube se deu em função do comportamento da diretoria americana. "Esse problema não é do ABC. Esse problema foi criado pelos próprios dirigentes do América, que tripudiaram do nosso estádio, fizeram piada do nosso estádio", reclamou, referindo-se às declarações do ex-presidente americano, Clóvis Emídio. Rubens disse ainda que a falta de diálogo com o América não era intenção do clube, mas foi uma consequência criada pelo próprio rival. "As dificuldades foram postas por eles. Os muros foram construídos por eles. O pensamento do ABC era de ter uma relação de cordialidade com o co-irmão, mas não foi assim que eles trataram a situação. Eles conduziram a questão como torcedor de torcida organizada, não como dirigente", disparou.
Logo após o término da partida do último sábado em Goianinha, quando o América venceu o Campinense-PB por 1 a 0, especulações sobre o aluguel do Frasqueirão foram iniciadas, inflamadas ainda mais por informações desencontradas que saíram na imprensa. Segundo o que diz o capítulo VI, das disposições finais do regulamento da Série C, em seu artigo de número 23, para a primeira e segunda fase do campeonato não há capacidade mínima exigida; somente para a terceira fase (jogos de ida e volta) os estádios terão que ter capacidade mínima de 10 mil lugares sentados e sistema de iluminação noturna. Sendo assim, o time rubro só não poderia mandar seus jogos em Goianinha caso conseguisse chegar à final do certame. Em toda campanha rumo ao acesso, entretanto, o América continua tendo o aval da CBF para mandar suas partidas no Nazarenão.
Hermano pede bom senso
Hermano Morais, presidente do América, disse que o clube espera por uma intervenção da FNF, juntamente com a CBF na questão do aluguel do Frasqueirão ao time rubro. Segundo ele é preciso haver bom senso por parte do ABC para sentar e avaliar a possibilidade de alugar seu estádio ao rival. Assim como o representante alvinegro, Hermano disse que a responsabilidade pela falta de um campo de jogo para o América em Natal não é do clube e que se sente prejudicado. "Esse problema não foi criado pelo América e hoje o clube está pagando um preço muito alto pelo fato de as providências não terem sido tomadas em tempo, embora a gente tenha que enaltecer o esforço que está sendo feito pela prefeitura de Goianinha para agilizar as adequações que estão sendo feitas no Nazarenão", disse.
A FNF por sua vez disse que só resta no momento esperar as posições de ABC e América, um sobre o aluguel e outro sobre a real vontade da torcida. "Eu acho que tem que haver um avanço também por parte dos clubes, inclusive do próprio América. O que eu vi hoje nos jornais, nos blogs, foi que a torcida do América está satisfeita com o estádio (Nazarenão). Então é preciso primeiro eles verem o que realmente é do interesse do clube", declarou o presidente Zé Vanildo. Ele disse ainda que tudo que poderia ser feito quanto à possível intervenção da CBF já foi realizado pela federação e que agora resta esperar uma posição do ABC. O clube alvinegro, por sua vez, descartou a possibilidade de interferência. "Eu recebi uma ligação de Virgílio Elísio e ele disse que não tem nada disso, também o próprio presidente da CBF (Ricardo Teixeira) me enviou uma mensagem dizendo que a CBF não vai intervir nessa questão, apenas eles fizeram um apelo para a gente avaliar a possibilidade, mas no mesmo momento eu expus as razões para não aceitar esse aluguel", disse Rubens Guilherme.
( Fonte Diário de Natal )



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