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Câncer de mama: novas diretrizes

Postado por FlavioNews segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Governo Federal, através do Ministério da Saúde, tem realizado mudanças na legislação relativa ao atendimento de pacientes com câncer de mama, dando ênfase à prevenção, na tentativa de conter o avanço da doença no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o problema atinge cerca de 50 mil mulheres por ano no País, provocando uma média de 11 mil mortes. As principais mudanças no Sistema Único de Saúde estão na portaria 1.183, de 3 de junho deste ano, que determina a realização de mamografia em mulheres que não apresentem sintomas de câncer de mama, como forma de prevenção — antes só era realizado em quadros sintomáticos. A outra medida é a Lei 11.664, de 29 de abril de 2008, já em vigor, que assegura a realização gratuita, no SUS, do exame de mamografia para mulheres acima dos 40 anos de idade.O câncer de mama é a doença que causa mais mortes entre mulheres brasileiras e o segundo tipo mais frequente. O exame de mamografia é considerado o melhor meio para o diagnóstico precoce da doença, por detectar o tumor antes mesmo que ele se torne palpável e seja perceptível no auto-exame de toque.O Rio Grande do Norte é o terceiro estado nordestino com mais casos registrados. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio Grande do Norte, cirurgião mastologista Eliel de Souza, estimativas do Ministério da Saúde indicam um total de 49 mil casos até o final deste ano no Brasil. Para o Estado, o número é de 529 novos casos; 190 apenas em Natal. “São números muito altos, ainda mais se considerarmos que para cada cem mil mulheres brasileiras cinquenta e uma desenvolvem a doença. No Nordeste são quarenta e dois casos para cada cem mil”, comenta o mastologista, acrescentando serem os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul os detentores dos maiores índices.Segundo dados da Sociedade Americana de Câncer, aproximadamente 1,3 milhão de mulheres recebem diagnóstico de câncer de mama todos os anos no mundo, sendo que 465 mil morrem.Estado se prepara para cumprir o que determina nova leiEstá em vigor desde o último mês de abril, a Lei 11.664, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer mamografia anual a todas as mulheres acima dos 40 anos de idade. Cumprir a lei representa um grande desafio para o serviço público, que precisa estar devidamente equipado e com pessoal capacitado para a tarefa. De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Juliana Araújo, o Rio Grande do Norte ainda está se adequando para cumprir plenamente o que determina a nova legislação. Mas segundo ela, o atendimento às mulheres já vem obedecendo uma nova rotina, baseada na portaria 1.183, de 3 de junho deste ano, que determina realizar mamografia unilateral no rastreamento do câncer de mama entre mulheres assintomáticas e com mamas sem alteração.“Antes o exame era realizado apenas quando existia sintomologia ou alterações”, diz Juliana, enfatizando que a adequação à Lei 11.664 no Estado será em etapas. “Estamos fazendo um rastreamento por região e tentando enquadrar as mulheres nos exames que temos disponíveis.”Outro passo é a capacitação de pessoal nas regionais de saúde espalhadas pelo Estado. “Estamos buscando o quantitativo de casos em cada região”, comenta a coordenadora, acrescentando ainda que o objetivo é descentralizar o serviço além da capital e incentivar a população feminina a procurar os seus direitos.Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio Grande do Norte, mastologista Eliel de Souza, para que a lei funcione de fato será preciso o poder público “comprar a ideia” realmente e haver uma cobrança por parte das entidades, da classe médica e da sociedade. “A lei sozinha não vai funcionar. Mas a população ainda não sabe dela.”Mas em meio a isso tudo há uma questão? O serviço público de saúde está realmente estruturado para cumprir o que diz a lei? Após receber o diagnóstico de um nódulo na mama, a paciente assistida pelo SUS chega a esperar de três a quatro meses por uma cirurgia ou outro procedimento semelhante — comprometendo as expectativas de cura. Todos sabem que quanto mais cedo o problema for tratado, mais chances a mulher tem de ser curada.“É preciso que as dinâmicas de atendimento sejam melhoradas e que haja uma maior facilitação nas autorizações dos exames. Mas existem muitos entraves burocráticos e o funcionamento é precários nos postos de assistência básica”, avalia Eliel de Souza. Homens também são vítimas do câncer de mamaCâncer de mama não é exclusividade do sexo feminino. Para cada 100 casos da doença em mulheres, há um em homem. Embora seja bastante raro, o número de homens com o problema tem crescido bastante e preocupa os especialistas da área.A incidência maior da doença é em homens acima dos 35 anos e o risco aumenta com o avançar da idade. Os fatores de risco são semelhantes aos das mulheres: histórico familiar, surgimento de tumores pré-malignos no passado, excesso de peso e dieta com muita gordura. Os sinais podem ser nódulo, secreção com descarga mamilar, retração do mamilo e ulcerações. O tratamento também é similar ao feminino, dependendo do grau da doença e do estado de saúde do paciente: biópsia, mastectomia, radioterapia e quimioterapia. A estimativa do câncer de mama masculino, hoje, no Brasil, é de 250 novos casos por ano. Da mesma forma, quanto mais precoce iniciar o tratamento, melhor o resultado.
(Com informações da tribuna do Norte)

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