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Aterro sanitário opera acima da capacidade

Postado por FlavioNews sábado, 13 de março de 2010





O aterro sanitário de Ceará-mirim, administrado pela empresa Braseco S/A, está operando “acima da capacidade” prevista no projeto aprovado pelo Idema.
As três células do aterro (locais onde o lixo é aterrado) atingiram a altura de 25 metros, enquanto que o projeto prevê uma altura de 19 metros para as mesmas células. Segundo os administradores da Braseco, o acúmulo é motivado pela falta de recursos financeiros para finalizar a quarta célula do aterro.
O promotor do Meio Ambiente, João Batista Barbosa, que fez ontem pela manhã uma visita ao local, reafirmou que a falta de estrutura do aterro favorece a formação de lixões clandestinos.

O objetivo da visita do promotor foi coletar dados e evidências que auxiliem na erradicação dos lixões clandestinos, que têm se proliferado pela Grande Natal. Segundo o promotor, o sistema de tratamento do lixo tem três fases (coleta, transporte e destinação final) e precisa funcionar com eficiência em todas as etapas do processo. “Se a destinação final está com a estrutura comprometida, todo o resto do processo tem problemas. Os caminhões que transportam o lixo vão ter problemas de acesso, as filas vão se formar e o descarte em terrenos baldios será incentivado”, explica João Batista.

Para entender melhor os argumentos do promotor, é preciso compreender como funciona o aterro. O lixo é compactado e empilhado no solo. Após o descarregamento de uma “camada” de lixo, um trator joga terra por cima. A terra é compactada e vem outra camada de lixo e de terra, assim sucessivamente. Dessa forma, o lixo compactado e enterrado vai sendo empilhado. A altura máxima dessa “montanha de terra e lixo compactado” naquele aterro é de 19 metros, de acordo com o projeto inicial do aterro, aprovado pelo Idema. O planejamento da Braseco era chegar aos atuais 25 metros apenas em 2015. Como a altura já ultrapassou o limite, as carretas e caminhões de lixo têm problemas para conseguir chegar até o topo da célula.

“Estamos falando de veículos com peso de 40 toneladas, trafegando numa estrada de terra até o topo da célula. Quanto maior a altura e a inclinação, maior a dificuldade. Ano passado tivemos inclusive tombamentos de caminhões”, explica o diretor de operações do aterro, Alexandre Bernardes. São essas as dificuldades relatadas pelo promotor para explicar as filas e a resistência dos veículos em esperar para ter acesso ao aterro. “As empresas que fazem o transporte do lixo preferem, muitas vezes, jogar o lixo em terrenos baldios a esperar horas na frente do aterro”, complementa João Batista Barbosa.

O segundo ponto observado pelo promotor na visita ao aterro foi a pesagem dos veículos. É comum que os caminhões e carretas estejam acima do peso permitido, danificando as estradas e aumentando o risco de acidentes na subida até as células do aterro. Um relatório foi emitido pela Braseco, mas os dados só foram liberados para o MP. Quanto à altura das células do aterro, o Idema já está analisando a possibilidade de autuar a Braseco. Uma resposta da empresa acerca do limite máximo de altura foi enviada ao órgão. De acordo com a fiscal Kelly Dantas, que acompanhou a visita, o mais provável é que a empresa seja advertida. Para que haja sanções ao funcionamento do aterro, é necessário que se identifique “riscos à segurança”. O diretor de operações, Alexandre Bernardes, disse que o limite máximo de segurança depende das condições do terreno e que os 19 metros do projeto do aterro podem ser reavaliados. “É muito comum que seja reavaliado. Em São Paulo existem aterros com 150 metros de altura”, justifica.

A Braseco explicou as dificuldades de investimento em novas células com o atraso no pagamento da Prefeitura de Natal. Henrique Muniz, diretor da empresa, informou que o atraso se arrasta há sete meses. Isso significa uma dívida de mais de R$ 5 milhões, tendo em vista que o faturamento do aterro referente à Prefeitura é de R$ 800 mil por mês, o que significa 90% do total faturado pela empresa em um mês.
(Fonte Tribuna do Norte)

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